sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

CHICO


Chico, és bonito o teu canto
Alegro-me por ser teu amigo
Tens por nome Francisco
Que não pensem tratar-se outro Chico

Da poesia fizeste oficio
Tuas palavras desenrolam qual manto
Com pensamentos constrói edifícios
Da filosofia extraíste o espanto

Deste vinho bebo contigo
Construindo pontes no abismo
Abraçando o desconhecido
Que a alma torna conhecido

Continue expondo teu canto
Largo alto e profundo
Daqui continuo cantando
Tendo a ti por amigo


Marcelino Amoedo

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

FLORESTA DA TIJUCA


Foste mata nativa
Vida acolheu em teus braços
Em tua exuberância altiva
Córregos teciam seus traços

Homens tiraram tua vida
Árvores cederam a machados
Ao café tu foste rendida
Da mata arbustos parcos

A beleza a ti devolvida
Por escravos ipês plantados
Hoje refúgio do cosmopolita
A busca do canto dos pássaros

Tens por sobrenome Tijuca
Onde postado teus morros
Do Papagaio avisto a costa
Do mar velas e barcos

Marcelino Amoedo

sábado, 22 de dezembro de 2007

AO FILÓSOFO POSTUMO


Teu olhar é distante...
A força que tinhas em teu corpo já não tem
Mas da doença tiraste força
Teu pensamento, contínuo movimento
Afirmaste a vida pela tragédia
Superaste o niilismo do qual te acusam
Tua seta lançou distante
Teu profeta compartilhou
Não foste compreendido
E compreender-te, ainda tentam
Nasceste póstumo e prolongaste a fala
Noventa segundos de uma imagem
Foi o que deixaste
E o eterno retorno de tuas palavras...


Marcelino Amoedo

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

SILÊNCIO


Silêncio, companheiro do pensar
Em sua quietude, um turbilhão de vozes põe-se a calar
As adversidades do dia, ficam para trás
A mente agora, se põe em alerta
Para ouvir o que diz o poeta
O eco de sua voz, agora ressoa
Como um sino barroco a nos chamar
As palavras têm vida, saltam da mente e da boca
O pensamento frenético, agora se torna
Como voz reprimida se põe a gritar
As mãos não controlam, o movimento da pena
A folha se enche por magia e encanto
As palavras nos falam de mundos distantes
Lugares conhecidos, e a conhecer
Pessoas amadas e outras nem tanto
As horas se passam, com o silêncio a meu lado
Na solidão da noite, alegria me traz


Marcelino Amoedo

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

HORIZONTE


Horizonte...
Dizem de ti, linha imaginária.
Então, porque me fascinas?
És a curva da Terra a encontrar o céu.
De mim, nunca te aproximas.
Para navegantes de outrora, um rumo a seguir.
Aventuras a alcançar, mas a ti nunca chegar.
Então, porque me fascinas?
A ti desejar, muitos a vida perdeu.
Penso em navegações do passado.
Homens ao mar, a ti buscar.
Do alto da pedra, meus olhos te miram.
Porque me fascinas?
Não és, linha imaginária.
Mas sonho, a nos povoar...


Marcelino Amoedo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

SOBRE VIDA E ESTRELAS


Voltando os olhos ao céu, o passado encontra o presente
Estrelas a muito extintas se recusam a partir
Desconhecem a barreira da própria existência
Enviam-nos seu brilho mesmo já sem existir
Talvez brilhem pra nos encantar
Talvez só por querer brilhar
A vontade que as move, é muito potente
Desejo que esteja, em minha vida presente
Imortalidade não sonho, nem significado proponho
Mas a vida que tenho, vive-la e amar


Marcelino Amoedo

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

INSULARES


Somos feitos de ilhas, não de átomos
Não somos um, mas multifacetados
Habitamos e somos habitados
Trocamos de ilha, para mudar o horizonte
Não somos, para nos tornarmos
Como pensar e nunca chorar
Por horizontes perdidos, no horizonte engessado
Trocamos de ilha, para mudar o pensar
Definimos quem somos, por poder navegar


Marcelino Amoedo

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O TREM


O trem que nos leva, passa depressa
A janela uma tela, memórias que leva
O tempo que passa, vontade que aperta
A alma se eleva, para longe me leva
O trem que nos leva agora se aquieta
A janela uma tela agora revela
A arte mais bela, a vida retorna


Marcelino Amoedo