sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

ATRAVÉS DA JANELA


Vou abrir a janela
Para entrar a poesia
Deita-la na folha
Expressa-la em versos

Respirar seu aroma
A inundar minha alma
Acelerando meu pulso
Espantando meu sono

As paredes do quarto
Não podem conte-la
A transformar o ambiente
Multiplicar os sentidos

Temendo perde-la
Pulo a janela
Procurando seu rastro
Em cada estrela

Seguindo a deixa
Do amigo poeta
Encontro na noite
A amada poesia

Marcelino Amoedo

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

CENTRO DO RIO




Rio
Teu centro moderno
É vivo é belo
Centenário teu prédio
Da Ouvidor a Rosário

Teu Paço e compasso
De passo apressado
Não percebe o passante
A história em tuas ruas

Casa de todos
De França e Brasil
Tuas vielas estreitas
Corredor de cultura

A igreja de costas
A unir avenidas
Voltada pro mar
Celebra tua vida

Tuas noites boêmias
Tuas rodas de bares
A cerveja na mesa
Rodeada de amigos

Chora quem parte
Ao som de teu choro
Tem música tem arte
Por toda parte

Marcelino Amoedo

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

TRANSFORMAÇÕES


Como sobreviver a aurora do pensamento?
Não vejo mais as cores,
que um dia pintaram o mundo.
A luz perdeu o brilho o sentido esvaziou.
Dor parturiente trespassa o meu ser.

Corro aturdido, me agarrando ao que passou.
O conforto do conhecido,
ainda mostra sua sedução.
Mas quem se lança no abismo
não pode o tempo perder.

As correntes que me prendiam,
agora corroídas
pelo tempo da ilusão,
não suportam mais o peso,
rompem-se os grilhões.

Livre do mundo vero,
caminho pelo incerto,
criando a esquina próxima,
que ainda vou dobrar.

Ao som do rugido,
se finda o camelo.
O leão papel cumprido,
à criança da lugar.
Os dados em suas mãos,
e o destino a abraçar.


Marcelino Amoedo

sábado, 5 de janeiro de 2008

TROCADOS EM CARVÃO


Teu corpo embrutecido
Pelo pó do teu opressor
Teu sonho jaz perdido
Enterrado perdeu a cor

Do amor já não te lembras
A esperança se apagou
O carvão arrancado a sangue
Do amigo que ficou

Para o mundo estás distante
Afastado de teus olhos
No orgulho estás ferido
E os mortos esquecidos

Ao carvão o suor mistura
Em borrão por sobre a pele
Vergada tua estatura
Como caniço ao vento leste

Da Terra as entranhas
O lar que te sobrou
Na superfície as cidades
Que da memória te apagou


Marcelino Amoedo