sábado, 5 de janeiro de 2008

TROCADOS EM CARVÃO


Teu corpo embrutecido
Pelo pó do teu opressor
Teu sonho jaz perdido
Enterrado perdeu a cor

Do amor já não te lembras
A esperança se apagou
O carvão arrancado a sangue
Do amigo que ficou

Para o mundo estás distante
Afastado de teus olhos
No orgulho estás ferido
E os mortos esquecidos

Ao carvão o suor mistura
Em borrão por sobre a pele
Vergada tua estatura
Como caniço ao vento leste

Da Terra as entranhas
O lar que te sobrou
Na superfície as cidades
Que da memória te apagou


Marcelino Amoedo

Nenhum comentário: